
A TRAGÉDIA DOS CONTOS
Era uma vez Chapeuzinho Vermelho,
Uma menininha dócil e meiga;
Não tinha a vaidade no espelho;
Levava a avó doces, feijão, manteiga…
Esquecer-se do feijão não era bom!
Era uma tremenda brasileirinha;
Esforços não media a cada bombom
Feito, ao presentear a Vovozinha.
Chapeuzinho muito bela, gentil…
Também era inteligente na escola,
Não deixava passar sequer um til,
Porém logo passou a cheirar cola.
Foi triste, foi uma pena, foi horrível!
Um anjinho tornou-se um capetinha.
Viveu, então, uma vida terrível,
E passou a roubar a Vovozinha.
Certo dia acordou com um pensamento:
“- Eu matarei a Vovozinha minha,
Livrando-me dessa pedra e tormento,
E de todos os seus bens serei a rainha!”
Mas precisava de alguém, um parceiro.
Então conheceu o senhor Lobo Mau.
Pediu-lhe em favor, quis dar-lhe dinheiro,
Riquezas mil, até mesmo uma nau.
Rejeitou, o Lobo, toda essa riqueza.
Para que fortunas ou um naviarra
Se ele amava tanto a natureza,
Vivendo bem desde o leão à cigarra?
Resolvera apelar para os revólveres,
Puxou dois trinta-e-oito calibrados;
Rendeu o Lobo e disse que cadáveres
Faria de seus familiares amados.
E tomou-lhes de reféns Chapeuzinho
E o Lobo obedeceu a sua malícia.
No entanto, observando, um vizinho
Imediatamente ligou à polícia.
Uma das armas foi entregue ao Lobo,
Que sem escolha matou a Vovozinha.
Sentindo-se inútil, julgou-se um bobo,
Foi preso e maldito na historinha.
Porém, depois – só depois – o vizinho
Entendeu de depor o acontecido,
Mas dizia a história ser mauzinho
O Lobo, e ficou o dito adormecido.
Hoje, depois de prostituta e herdeira,
A polícia encontrou Chapeuzinho
Morta e sem uma só brincadeira
– Um defunto em um matagal sozinho.
O Lobo foi absolvido, em vão
É visto Mau; Chapeuzinho Vermelho
– Brasileira e criança sem canção,
Perdeu sua linda face em um espelho.
Autor: Jediael Cutrim